Sempre consigo admirar o despertar do amanhã como um evento singular e sinto que acordar é um milagre. Luz que simboliza a vida. O novo dia representa o renovo, a segunda chance, e o ciclo, as novas oportunidades, esperança. Concluo que acordar nos dá o poder de continuarmos vivos. Eu acho que sou um ser especial e não procuro me definhar em um problema. Tenho o dom em ajudar as pessoas a encontrarem, na tragédia, sempre um lado de bom proveito.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
A certeza do amanhã
E a noite, a lua reflete uma luz nos fazendo lembrar que em instantes o sol voltará a brilhar.
O cara que bolou isto é foda e nos ama!
Tarcisio Marchiori Junior
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Organização Sim Governamental
Transgrediram o nosso direito de saber que felicidade não é e nem leva-se ao êxtase. E, consequentemente, nem sempre o êxtase causa a felicidade. São apenas governos distintos dentro de uma mesma pessoa.
Muitos acontecimentos podem nos fazer sorrir. Neste seguinte paradoxo, por exemplo, o contracheque do nosso deputado federal, vulgarmente conhecido por Tiririca, nos faz rir - de raiva. Entretanto, no íntimo, queremos é cortar os pulsos quando lembramos que pagamos quatro anos e meio de faculdade para chegar num mísero piso salarial. A vontade de se suicidar aumenta quando nos lembramos que aquela emoção imensa por graduar se transforma numa sensação passageira similarmente aquele frio na barriga que sentimos quando o avião decola, e, no fim, resta no íntimo apenas a vontade de sair logo daquela lata voadora para chegar a independencia financeira e êxito profissional - andar com as próprias pernas.
O governo da felicidade está relacionada nas reações músculo-esqueléticas e o governo do êxtase está conectado ao nosso sistema nervoso, que é responsável em produzir neurotransmissores causadores das reações sentimentais. Felicidade, capa. Êxtase, intimidade. E, ambas, podem ser e estar em coisas extremamente diferentes.
Machado de Assis, imerso no realismo, tentou esmiuçar esta faceta de vida em Quincas Borbas. Podemos viver tanto tempo uma ideologia ridícula, errada, achando-nos donos da verdade. Mas, basta uma decepção amorosa que desfalecemos, enlouquecemos e morremos. Nossos ideais podem até estar equivocados e mesmo assim procuramos lutar com a nossa vida pra provar que estamos certos. Por outro lado, mas no mesmo âmbito, se a nossa roupa está fora de moda, entramos em depressão e preferimos estar alheios ao que acontece ao nosso redor tentando fugir da realidade.
Não posso dizer se Quincas fez certo ao ludibriar Rubião com a filosofia humanitista, apenas pra fazer dele o cuidador de seu cachorro - talvez no íntimo de Quincas, o que ele queria mesmo era acreditar que seu cachorro precisava cumprir sua missão na Terra, caso viesse falecer antes do bicho. Mas se Rubião comprou esta idéia, ele apenas não o fez porque teria finalmente encontrado a felicidade em viver a tal filosofia, mas sim, porque no seu íntimo, ou seja, na sua existencia, ele finalmente encontrou seu papel neste habitat redondo que fica boiando neste vácuo esquisito, onde, na verdade, ninguém sabe exatamente o porquê ele está aqui e pra quê ele ainda continua aqui.
Se um dia você pretende conquistar alguém, fisgue-o pelo seu governo interno. Tente descobrir o que a pessoa pensa da vida e passa a se interessar por isto. Mesmo que, na verdade, você tenha mais interesse pelo que a pessoa mostra ser por fora, que foi o caso de Cristiano com Rubião. Não demorou muito e Rubião achou brilho aos seus olhos quando a tal filosofia, herdada junto com o cachorro, trouxe a possibilidade de conhecer a comprometida Sofia e o salafrário de seu marido, o já dito Cristiano, que tinha o hobby de subtrair-lhe os bens. Ela usava seu charme, ludibriando-o e dando-lhe a esperança de que um dia ele irá possuí-la. Coisa que nunca aconteceu e, por causa disto, acabou enlouquecendo. Morreu encapsulado num personagem que ainda acreditava no humanitismo.
Pode até ser que pelo êxtase, buscamos a felicidade. Pois mesmo que ambos possam ser coisas completamente diferentes, é do êxtase que adquirimos energia pra atraír motivos pra movermos dezenas de músculos. Mas lembremos, é pela felicidade mal suprida, e correspondida, que podemos vir a parar de reagir à vida. Contudo, é pela falta de êxito que nos reajustamos. Se por acaso, no nosso íntimo, sentimos que tal coisa não nos pertence, então partimos pra outra. Mas se a capa, que o governo da felicidade nos forçou a usar, nos fez passar por ridículo, queremos esquecer qualquer possibilidade em dar-nos outra chance, pois apenas doido é capaz de usar maquiagem por cima de outra e, neste caso, a emenda fica pior que o soneto. Tanto que, é fácil parar de cometer bullying contra gays, quando os seres que o cometiam são verdadeiros héteros ludibriados por uma teoria preconceituosa fundada por um grupo de extermínio minimalista. Em contrapartida, as pessoas que comentem bulling para esconder sua identidade homossexual - que é a maioria dos casos - quando desmascaradas, resta apenas o suicídio social e moral.
Os nossos governantes nunca conseguirão lutar pelos ideais da sociedade. Sabe por quê?
- Primeiro, porque somos muitos e os diferentes ideais são inúmeros;
- Segundo, quem deve lutar por seu ideal é o próprio indivíduo;
- Terceiro, os ideais conseguem ser mudados sem constrangimento algum, e tentar resolver algo passivo a inconstancia é frustrante. O governo não deve ajudar a você decidir se quer ser médico ou não, por exemplo;
Hoje a maconha é proibida e a arma é vendida, e amanhã, poderá ser comprada em drogarias e recolhida e aprendida na polícia federal, consecutivamente. Porque as idéias que influenciam na intimidade, como por exemplo a legalização do aborto, é mutável. Basta esperar que na hora certa a rede Globo inventará uma novela convencendo 80% da população de que abortar seria a melhor opção e, no estalar de dedo, vários governantes - que passaram seus últimos meses investindo toda a sua fortuna em clínicas para aborto - assinarão uma resolução pra liberar tal ação. Entretanto, quando o assunto for de interesses externos, o Governo tem por obrigação, constitucional, suprir - vestir, comer, locomover, expressar, educação, saúde e segurança. E, na condição de estarmos felizes, nos tornamos reféns de achar que estão fazendo um bom serviço. Os gorvenantes só atuam nos ideais não por fazer bem à população, mas por dois motivos básicos: pra agradar a maioria e pra não vivermos uma anarquia.
É por isso que se a cada dia não lutarmos em prol de procurar definir quais são os nossos ideais, passaremos a ficar vazios, lutando por nada, mesmo que o nada não tenha nada a ver com o que somos hoje por dentro. É melhor ser um recheio-surpresa do que seres incapazes de desenvolver intimidade - mesmo que pra dar-lhe a devida atenção, ao governo interno, precisamos fazê-lo escondido.
TARCISIO MARCHIORI JUNIOR
domingo, 13 de março de 2011
Crise regionalista brasileira
Um amigo paulista me disse uma certa vez: "gente boa, que seja capixaba, ou é feio ou precisa de dinheiro emprestado."
Além de não ter concordado com ele, como um capixaba esperto, passei a tratá-lo com desdem.
Nunca me senti tão lindo e rico depois disto.
Tarcisio Marchiori Junior
terça-feira, 1 de março de 2011
Meu culto Fúnebre
Um cisco. Um pedaço para completar. A agulha no palheiro. O recheio é feito daqueles confeitos de padaria que nunca compram. Aliás, a mesma coisa, porém diferente. O ‘raio’ ensurdecedor e o ‘trovão capaz de cegar. Sou assim, o contrário.
Tentaram me virar ao avesso e viram uma pessoa normal. Enjoaram do resultado e brincaram de revirar-me de volta. Quando foram juntando as peças restava uma do lado de fora. Com receio, me ligaram na voltagem 110 e continuei a funcionar – não foi “perda total”. Todavia, reagia diferente. Até hoje continuam a remontar-me, almejando conseguir tornar aquela “coisa” que fui outrora.
Uns desistiram e acostumaram como sou, outros sumiram – tornaram-se céticos e continuaram interessados nas mesmas coisas que eu não podia mais oferecer, outros... Todas as vezes que pretendiam me consertar, eu me transformava, agregava ou assumia uma personalidade diferenciada e, o pior, as peças continuavam a sobrar no final de cada remontagem.
Certa vez, procurei repor algumas peças por outras novas, colocar material nunca antes utilizado. Infelizmente mandaram uma carta desculpando-se, pois não havia representação para a finalidade procurada por mim aqui na Terra. Fui obrigado a dar boas risadas disso. Vários eram os sentimentos que se misturavam no momento da leitura da carta resposta.
Embora, só vivemos uma única vez, sem direito a drásticas reparações, só EU vivo esta vida, mais nenhum moribundo – este ache um corpo para ficar e fique longe do meu! Fiquei feliz com isso, pois odiaria a possibilidade de viver neste esquisito habitat com uma alma diferente da minha, por outro lado, fiquei triste com o desgaste desnecessário que fui submetido.
Hoje tardiamente, sei que existem técnicas para sobreviver por mais tempo, no entanto, posso viver feliz com o que sou e pronto! Diferentemente de pressa, estou ansioso para chegar o dia da partida com destino ao paraíso o qual tenho investido desde minha infância e, por falar nisso, está sendo construído por um Revolucionário que amo do fundo do meu coração. O meu investimento? Uma merreca, minha vida que é um cisco confuso, difícil, inútil, sem...
Claro que o pagamento foi simbólico! O que pagou de fato a minha passagem foi algo chato que o tal Revolucionário escolheu fazer em meu lugar.
EPITÁFIO: Viver com todas as minhas forças vãs é um ato de gratidão. Assim, penso que a vida acaba, continuarei alegre: morrer é lucro!!
Tarcísio Marchiori Jr.
Texto reeditado para publicação no Jornal O Liberal de Sergipe.
Editado pelo Tarcizio Barbosa.
